Foi celebrado o centenário da chegada do Evangelho, por obra dos padres Combonianos (em 24 de dezembro de 1912 os primeiros missionários atingiram Mupoi). Brevemente haverá una catedral nova em Yambio. È construída por italianos a Catedral de Yambio, cidade da 300 mil habitantes na região do West Equatoria, no recém-nascido estado do Sudão do Sul. Servirá a diocese de Tobura-Yambio (Yambio é a sede de Cúria), grande, quase como todo o território regional, porque o bispo, Mons. Eduardo Hiiboro Kussala, não tem ainda catedral. Vai ter capacidade para 3000 fiéis, ou seja, para quantos todos os domingos frequentam a missa. «Nós temos uma Igreja viva – disse Mons. Hiiboro Kussala -, que está a tocar com a mão a bondade do Senhor, que temos a sorte de encontrar todos os dias no rosto do nosso povo».
A diocese di Tombura-Yambio – com 1300mil habitantes, dos quais 600mil são católicos e outros 300mil são cristãos de outras confissões – é uma sede da Igreja católica sufragânea da arquidiocese de Juba. Infelizmente, a “casa do bispo” ainda não se conseguiu construir para as festividades do centenário da chegada do cristianismo.
«Hoje, cem anos depois – precisa D. Hiiboro Kussala (bispo desde 2008) -, queremos agradecer ao Senhor pela fé que recebemos e porque sempre foi para nós um amigo de confiança, caminhando connosco através das nossas adversidades e sofrimentos: guerras, epidemias, períodos de forte insegurança, movimentos de prófugos. Vamos rezar por todas as pessoas que nos acompanharam nos momentos difíceis da nossa história e lembraremos todos os religiosos e religiosas que sacrificaram a sua vida para nos trazer a fé. Esta fé que nos dà a direçao e o sentido de pertença continuará a formar a liberdade das nossas consciências, a animar as nossas vidas e a influenciar a nossa visão do mundo».
Muitos são os mártires na história da Igreja sudanesa, porque havia o Sul contra o Norte, e esta foi una guerra de resistência nos confrontos de um Islão que pretendia estender-se para o Sul cristão e animista. Em 1984, todos os missionários presentes foram expulsos e o Evangelho de Cristo pôde continuar a ser difundido graças aos padres indígenas e aos catequistas. O pensamento vai para quando o bispo de Rumbek, D. César Mazzolari (falecido no ano passado por causas naturais), foi capturado e mantido refém durante 24 horas pelos guerrilheiros do SPLA (Exército Sudanês de Libertacão Popular), grupo armado independentista em luta contra o regime de Khartoum. E como esquecer que em 2009 sete paroquianos do bispo Hiiboro Kussala foram crucificados pelas milícias governativas islãmicas?
O presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit, reconheceu publicamente em 9 de julho de 2011, dia da independência, o papel da Igreja, afirmando: «O Sudão do Sul será para sempre em débito dos missionários combonianos». Já a partir de 6 de dezembro, houve várias celebrações e atividades: orações, meditações, discussões, reflexões, leituras, adorações, uma intercessão geral, mas também momentos recreativos com danças, música, competicões desportivas.
E houve ainda seminários sobre o papel dos leigos na Igreja, sobre o papel das religiosas na salvação da humanidade e sobre a importância da vocação presbiteral. Foi reaberta a casa mãe das Missionary Sisters of the Blessed Virgin Mary of Sudan, ou seja, das Irmãs missionárias da bem-aventurada Virgem Maria. Foram celebradas Missas de ação de graças pelos votos de algumas religiosas e de alguns sacerdotes e de renovação do compromisso de alguns casais de esposos. Teremos ainda a bênção do grupo Movimento das Mulheres pela Paz. E ainda um encontro sobre a unidade dos cristãos e sobre o diálogo com as outras religiões. No Sudão di Sul há muçulmanos, Testemunhas, de Jeová, luteranos, adevntistas, pentecostais e ainda vigoram algumas religiões tradicionais. Isso muito devido ao facto de a Constituição do Sudão do Sul ser secular e aberta a todas as crenças.
«Desde o dia em que nasceu o novo Estado do Sul, nas nossas dioceses respira-se um ar novo, finalmente sentimo-nos longe do perigo de um integralismo islâmico que nos oprimia – afirma mons. Hiiboro Kussala -. Somos conscientes de ser ainda crianças entre as nações do mundo, por isso procuramos confiar em “pais” que nos ajudem a crescer. A nossa nação tem muitos recursos, mas ainda lhe falta organição e cultura, e devemos contar com os jovens. Como diocese, temos um programa de investimentos nas paróquias: queremos construir ao lado de cada igreja uma casa paroquial e um centro de encontro para as pessoas se habituarem a vir. Para algumas paróquias que ainda nada têm, devemos pensar também na construção de igrejas, simples, mas com capacidade. [Em 2011, a organização Ajuda à Igreja que Sofre investiu um milhão e 150mil euros para projetos na nossa diocese]. Todavia, pensamos ser abençoados porque muitos escolhem vir para o seminário para serem sacerdotes».
O vasto território diocesano compreende 16 paróquias, 14 capelas principais e centenas de outras espalhadas pelos muitos lugarejos da floresta. Temos 47 padres indígenas e muitos religiosos e religiosas, São ajudados por cerca de 500 catequistas, formados até para celebrar a Liturgia da Palavra, na falta de padre. Isto sucede com frequência, dadas as dimensões das paróquias: uma tem de comprimento cerca de 250 quilómetros.
Além da atividade pastoral e da evangelização (aparece sempre um bom número de animistas), a diocese está empenhada na promoção humana, através de departamentos específicos, que se ocupam de educação (85% da população é analfabeta e as crianças escolarizadas são menos de 60%), saúde (o VIH está muito presente), justiça e paz, meios de alimentação, água, emergências humanitárias (os emigrantes reentrados do Norte são cerca de 10mil e continuam sempre a chegar), mulheres e família.Os departamentos diocesanos coordenam as várias estruturas: 11 asilos infantis, 8 escolas primárias, 3 secundárias, e colégios, 1 hospital, 2 clínicas, 1 centro para leprosos, 2 centros de apoio a seropositivos (adultos e crianças), um centro de formação para mulheres.
«Entre 2012 e 2013 celebrase o Ano de Fé – conclui o bispo -. Para renovar e reforçar a nossa, temos programadas várias atividades. Deste ponto de vista, assume um especial significado a Cruz centenária que desde o ano passado foi levada em procissão através de todas as paróquias. Quando em 12 de dezembro chegou aqui, foi a coroação de uma caminhada longuíssima: foi de facto transportada, a pé, por mais de 2000 quilómetros. Estamos agora a preparar um livro com a história da nossa diocese para manter viva a memória destes 100 anos na missionação da fé.
© 2013 – Romina Gobbo
Publicada em Sintese – Set/Out 2013

Lascia un commento